Que a Espanha é linda, ninguém duvida. Além da reconhecida beleza de Madrid, Barcelona e Sevilha, o país tem muitas outras cidades e povoados que surpreendem tanto pela beleza quanto pela riqueza cultural.

Um dos destaques é Córdoba.

Córdoba está localizada na região da Andaluzia, tem cerca de 330.000 habitantes e é uma cidade repleta de historia. Uma forma romântica de conhecer o centro histórico é em uma das charretes antigas e lindíssimas puxadas por dois cavalos. É assim, como se fosse em uma outra época, que você poderá passear pelas ruas estreitas do centro antigo, chamado bairro Árabe.

Os árabes viveram na região durante séculos e suas influências estão por todo o bairro, principalmente na arquitetura.
 Na cidade andaluz o que mais surpreende  é a catedral, mas para compreendê-la é preciso entender um pouco da história que a cerca.

Córdoba foi dominada pelos Romanos em 209 e entre suas construções, está a ponte que liga a cidade à outra margem do rio Guadalquivir que claro, já foi reformada ao longo dos séculos, mas mantêm ainda os arcos típicos daquela época.

Os Romanos construíram uma catedral, que por sua vez, foi ampliada séculos depois quando os visigodos conquistaram a cidade. Eles deixaram o interior dela ainda mais bonito. Porém, no século VIII os árabes invadiram e dominaram a península Ibérica, transformando Córdoba na sede do califado. E lá eles iniciaram uma construção em torno da catedral, e transformaram-na em uma grande mesquita com aproximadamente 24 000m².

A estrutura toda é sustentada por 1.100 colunas e arcos.  Os mosaicos estão repletos de inscrições em ouro.

Àquela altura, as imagens de santos foram retiradas e as paredes foram decoradas com motivos abstratos e caligrafia árabe.

Acontece que depois, lá pelos idos de 1200, Córdoba foi reconquistada pelos cristãos e eles resolveram transformar a mesquita em uma catedral católica e então, mais ou menos em 1520 começaram a construir uma basílica renascentista no centro do edifício muçulmano.

A mesquita foi toda adaptada para ser usada como uma catedral.
Colocaram um sino na torre e ainda fizeram algumas capelas. Viu que confusão?
 O resultado é uma das catedrais mais diferentes e sensacionais do mundo católico

Este é um dos altares dentro da mesquita. É preciso entender que, a outrora mesquita é hoje, a catedral de Córdoba. Mas sempre será chamada de mesquita.

Não há como não se sentir fascinado com a Custódia de Arfe fabricada em ouro e prata dourada no ano de 1516.

A catedral é o primeiro dos doze tesouros da Espanha, que foi uma eleição local que escolheu os mais importantes monumentos nacionais. A mesquita hoje tem o nome eclesiástico de catedral la Asunción de Nuestra Señora. Tombada pelo Patrimônio Mundial da Unesco é, com toda certeza, uma das jóias mais raras de toda a Península Ibérica.
 Quem olha apenas pelo lado de fora, não pode sequer imaginar a beleza e o mosaico de cultura e arquitetura que irá encontrar lá dentro.

Uma vez em Córdoba, vale a pena conhecer os jardins de Alcazar. E é tão bonito que merece, pelo menos,  uma horinha dedicada a ele.

A história conta que o próprio Júlio César plantou flores e árvores exóticas alí. E então mais tarde, os árabes também cuidaram do jardim plantando mais árvores e flores e depois os cristãos continuaram o trabalho.Todos colaboraram e Córdoba tem hoje, um dos jardins mais bonitos da Espanha

Depois de andar tanto, se bater aquela fome, o ideal é sentar-se em um dos bares ou restaurantes na Plaza Mayor e experimentar a gastronomia cordobesa. Até porque, a culinária espanhola vai muito, mas muito além da paella. Cada região é extremamente rica em cores e sabores. E em Córdoba, dentre os vários pratos típicos, o salmorejo e o pisto fazem grande sucesso.

Salmorejo é um creme à base de tomates, preparado com migalhas de pão, azeite de oliva, alho, sal e pimenta. Se parece muito com o gazpacho, porém é mais denso por causa do uso do pão. Por cima, cortados em pedacinhos, são colocados jamon ibérico e ovo cozido. É uma delícia, especialmente no verão por ser um prato que é servido frio.

Outro prato típico é o Pisto, que é uma espécie de refogado com pimentões vermelhos e verdes, tomate, abobrinha e outros vegetais da horta. É um prato de origem camponesa e é muito saboroso.

Nos restaurantes na Plaza Mayor, também são servidos Pescados fritos. Como o nome diz, são vários tipos de pescados empanados e fritos.

Em quase toda a Europa há uma lei que obriga os restaurantes a fixarem o cardápio do lado de fora do imóvel, incluindo os preços. Desta forma, não é preciso entrar para saber o que é servido e principalmente quanto custa.

Na Andaluzia, em todos os bares e restaurantes o turista vai encontrar o vinho branco mais famoso da região: O Jerez. Experimenta-lo é quase uma obrigação.
E não esqueça de que em muitas regiões da Espanha, antes do almoço ou do jantar, muitas pessoas costumam ir ao bar tomar uma taça de vinho. Já à noite, especialmente nos fins de semana, é bastante comum “salir de copas”, que significa andar de bar em bar. Bebe um único drink e vai para outro bar e assim sucessivamente.
E passear a noite pelas ruazinhas estreitas de Córdoba é uma experiência inesquecível.
Foi na Andaluzia que nasceu o ritmo flamenco e há muitos bares temáticos ou com detalhes que lembram a dança mais famosa da região. Beber uma taça de jerez ou um drink da sua preferência é mais do que “salir de copas”. É também entrar em contato com a cultura desse país cheio de encantos.
Saúde e olé!

 

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