É em Valdevimbre, um povoado na província de Leon no norte da Espanha, onde está uma das mais charmosas e antigas bodegas espanholas: a Cueva de San Simon, que há alguns anos funciona como  restaurante, mas preservando a originalidade.

Logo na entrada as marcas nas paredes chamam a atenção. Elas  contam a história de 500 anos da construção da bodega, que naquela época demandava muita força devido à precariedade dos instrumentos.

Segundo Geraldo, um apaixonado por bodegas antigas e frequentador assíduo do restaurante Cueva de San Simon, elas começaram a ser construídas, provavelmente, há cerca de mil anos. São tipicamente uma escavação na terra e originalmente feitas para a conservação e fabricação de vinhos.

Mas como eram construídas?

Geraldo conta que em um monte ou pequenas montanhas, em locais onde a terra era considerada forte e compacta, os trabalhadores começavam a escavar no topo verticalmente até a profundidade desejada. Estas escavações eram feitas com uma ferramenta pequena, afiada e iam, pouco a pouco, escavando.

Algumas vezes, as escavações começavam por baixo.
Os trabalhos iniciavam no inverno, porque a terra ficava mais úmida e facilitava a escavação. Quando chegavam a uma determinada profundidade, onde a terra já estava mais seca, os trabalhadores depositavam água nas cavidades que iam se formando e voltavam a escavar cerca de dois dias depois. A água deixava a terra mais úmida e facilitava o trabalho.

Depois, quando a entrada por cima ou por baixo já estava pronta, os trabalhadores começavam a cavar por dentro, esculpindo manualmente as paredes dando a elas um formato de curvas, criando assim,  grandes compartimentos que abrigavam os tonéis.

Nesse ponto então, começava a preparação do vinho em um local chamado Lagal, na própria bodega.

Nas bodegas mais antigas, o solo era todo de terra e eles faziam uma espécie de capa com um produto parecido com o cimento. Este lugar ficava no solo, lá dentro na cavidade  de frente para o para o exterior na parte de cima, por onde jogavam os cestos com uvas. Com a altura em que eram jogadas, as uvas se rompiam e depois eram pisadas e ficavam depositadas em algo que eles chamavam de descanso. O local onde as uvas caiam tinha uma ligeira inclinação e todo o suco da fruta escorria por uma espécie de canaletas.

Os recipientes que guardavam o suco, eram como cubas feitas de madeiras côncavas que ficavam ao redor destas canaletas. Ali deixavam fermentar e envelhecer ate que estivesse pronto para o consumo.

Quando as uvas haviam sido suficientemente espremidas e restavam apenas cascas, estas eram colocadas em tábuas que estavam ligadas a uma viga transversal onde se podia subir e descer fazendo, deste modo, uma prensa artesanal para retirar até o ultimo resquício de suco das uvas.

Conseguiu imaginar tudo?

Segundo Geraldo, praticamente, em todas as províncias e autonomias espanholas, existem bodegas iguais a Cueva de San Simon e que, à medida que foram sendo criadas outras muito mais modernas – como as grandes marcas comerciais de vinho- estas mais familiares, foram ficando em desuso e sempre houve alguém com a feliz idéia de transforma-las em restaurantes, assim como o Cueva de San Simon.

O restaurante é praticamente todo iluminado por velas, que criam uma atmosfera acolhedora e romântica. Praticamente nada foi mudado. As paredes conservam, quase intacta, sua estrutura original, permitindo ao cliente uma viagem no tempo. O restaurante por si só, é uma grande atração.

Entrar em uma antiga bodega como a Cueva San Simon dá a sensação de estar fora do mundo moderno. É um clima de encanto. Um encontro harmonioso entre o passado e o presente.

E foi assim ,na companhia de amigos, que enquanto experimentava os deliciosos pratos tradicionais do norte da Espanha e saboreava tudo lentamente, envolvida pelo ambiente e pela conversa, sentindo o sabor da comida e o aroma do vinho, com a sensação de estar em dois mundos distintos que, de alguma maneira, vi o tempo parar.

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