‘O sole mio – a canção patrimônio de Nápoles

Se alguém me perguntar, qual a canção napoletana que mais gosto, não saberei responder. Afinal são tantas e uma mais linda que a outra.

Mas sem dúvida, O’ Sole mio está entre as preferidas e não poderia ser diferente. Sole mio, ao lado de yesterday do Beatles,  é a canção mais cantada, mais tocada, mais escutada, mais regravada e mais tudo no mundo inteiro e foi regravada pelos artistas mais importantes no universo musical, em todos os idiomas e estilos musicais.

É considerada também a música mais cantada em cada esquina do mundo, até mesmo no espaço cósmico, uma vez que foi a canção cantada por Juri Gagarin, o primeiro astronauta a viajar no espaço naquele  12 de abril de 1961.

A canção é tão importante para a cidade de Nápoles, que imagina você , ela é considerada patrimônio, não apenas da cidade , mas da Itália inteira. E seria justo se fosse considerada Patrimônio da humanidade.

Muitas versões foram feitas, mas sem sombra de dúvida, a mais famosa é It’s now or never , interpretada por Elvis Presley que vendeu milhões de cópias mundo afora.

Apesar dos mais importantes cantores da terra terem regravado “ O’Sole mio” e contribuído com sua fama, foi o tenor Enrico Caruso que a tornou famosa, através de sua interpretação, ainda hoje, considerada a mais perfeita dentre todas.

A canção Sole mio e seus autores Eduardo De Capua e Giovanni Capurro.

'O sole mio - a canção patrimônio de Nápoles
Eduardo de Capua e Giovanni Capurro

É um tanto particular a história da música, uma vez que por ser a canção símbolo de Napoli,  um hino ao sol, não tenha sido composta em Napoli, mas na fria e cheia de neblina Rússia, mais precisamente em Odessa na Ucrânia.

Era o ano de 1898, Eduardo de Capua, autor da letra, estava na Rússia em turnê com o pai, um professor de violino. Na época, os músicos napoletanos eram requisitadíssimos em toda a Europa. Um dia, talvez por acaso, Eduardo se lembrou do amigo poeta Giovanni Capurro.

Giovanni havia escrito uma letra que falava sobre o sol de Napoli e pediu a Eduardo para compôr uma melodia. Talvez a lembrança tenha surgio por causa daquele rigoroso frio russo. Eduardo tirou do bolso a caderneta que levava, se sentou ao piano e compôs a magnifica melodia cujo letra fala, com nostalgia,sobre o sol de Napoli.

Naquele mesmo ano, a canção ficou em segundo lugar em um concurso de música na Itália organizado pela Casa Bideri. Os autores esperavam vencer por causa do prêmio de 500 Liras, mas tiveram que se contentar com o segundo lugar e o prêmio de 200 Liras para ser dividido em dois. Naquele ano, em primeiro lugar ficou a canção Napule Bello!

Aquelas 200 Liras foram os únicos prêmios dos autores em vida por O Sole mio. Na época, os ganhos iam todos para os editores. Os dois autores, Eduardo e Giovanni, morreram na miséria, sendo que Eduardo teve que vender o piano para pagar contas e tratamentos médicos.

Para a casa Bideri, uma editora musical napoletana, é toda uma outra história: há mais de um século, ela detém o registro da música e continua a receber os royalties. Apesar dos autores terem morrido há mais de 70 anos, de fato, a canção ainda não é de domínio público. Isto graças a uma sentença do tribunal de Torino que em 2002 reconheceu o maestro Alfredo Mazzuchi, na época era aluno de Di Capua, como co autor da melodia. Mazzucchi morreu em 1972 e a canção passará a ser de domínio público apenas em 2042.

Quase 120 depois, o mundo ainda agradece à Eduardo Di Capua e Giovanni Capurro por este “ capolavoro”, por esta obra-prima que emocionou gerações passadas, emociona a atual e continuará emocionando aquelas que virão, porque músicas que tocam a alma, não morrem jamais.

 

Sandra Santos

Agradecimentos: tarantelluccia.it

 

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