O registro de um momento muito especial para mim.
Se for olhar pelo lado estético,  jamais  publicaria esta foto. Me vejo feia e em prantos.

Foi em Pequim, na China

Estava muito ansiosa para visitar a praça da Paz Celestial ( Tiananmem em chinês). Lá chegando, quis saber duas coisas:
01- Onde os estudantes foram massacrados.
02- Onde o desconhecido parou os tanques.
O guia me alertou para lembra-lo muito discretamente, pois é proibido falar sobre este tema na China, sob sério risco de punição.
Com um sinal, ele me mostrou os locais exatos.
No momento em que olhei, fiquei pensando em tudo, me emocionei e chorei copiosamente. Achei que estava chorando com uma certa discrição , mas a Ivanilda Frazão clicou sem eu ver e depois me presenteou com a foto.
Guardo com muito carinho.
Uma ótima lembrança.

O MASSACRE NA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL.

Foi no ano de 1989 que estudantes lideraram uma série de manifestações contra o Partido Comunista chinês. Diferentes grupos, formados também por trabalhadores e intelectuais aderiram às manifestações, até então pacíficas pela ruas de Pequim.

Tudo começou porque aquelas pessoas acreditavam  que o regime era demasiadamente repressivo, corrupto, as reformas econômicas haviam sido lentas fazendo que com que  a inflação e o desemprego dificultassem suas vidas.

O governo reagiu e proibiu as manifestações que continuaram. A decisão tomada foi suprimir os protestos pela força, no lugar de atenderem suas reivindicações e declarando a lei marcial. Na noite do dia 3 de junho, o governo enviou os tanques e a infantaria do exército à praça para dissolver os protestos. As estimativas das mortes civis variam: 400 a 800 segundo o The New York Times e 2.600 segundo a Cruz Vermelha chinesa. O número de feridos foi estimado entre  sete e dez mil.

Diante da violência o governo iniciou uma caça aos lideres do movimento que foram presos e possivelmente mortos, expulsou a imprensa internacional e passou a controlar completamente a cobertura dos acontecimentos na imprensa chinesa.

Este dia ficou conhecido como o Massacre da Paz Celestial.

O DESCONHECIDO QUE PAROU OS TANQUES

Foi precisamente, no dia 5 de junho de 1989 que surgiu a imagem do jovem rebelde desconhecido que parou uma fileira de tanque na avenida em frente à praça.  Ele levava duas sacolas e balançava os braços  tentando impedir o avanço dos tanques. Em um determinado momento, ele sobiu em um dos tanques, provavelmente para tentar falar com um dos soldados dentro do veículo. Em seguida desce e se posiciona ao lado de um dos tanques que tentam seguir, mas são novamente impedidos pelo desconhecido que se coloca na frente dos veículos. Até que outras pessoas o agarram pelo braço e o retiram de lá.

Há quem diga que foi a polícia que o agarrou e em seguida o matou. Outros dizem que ele estava entre os estudantes massacrados. A verdade porém, nunca ninguém conseguiu saber.

O fotógrafo Jeff Widener, hospedado em um hotel em frente, registrou tudo da janela do quarto no sexto andar.  A imagem entrou história como um símbolo de luta por liberdade.

Sandra Santos

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